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Aqui você poderá conhecer, mensalmente, um dos nossos escritores e descobrirá como tem sido sua experiência no mercado editorial.

Este mês a entrevista é com o baiano, professor, poeta e escritor Álvaro Ricardo de Mello Gouveia Veiga que já participou de doze antologias e é autor de quinze livros, dentre os quais, publicado pela Litteris Editora, estão "Fragmentos de Inspiração - Clássicos e Modernos",  "Universo Gramatical", "Grande Manual da Nova Ortografia", "Sucesso em Português e Redação - Vestibulares, Enem, Concursos Diversos" e "Sucesso em Interpretação de Textos".  Pelo seu reconhecido e relevante serviço prestado em prol dos interesses culturais, sociais, econômicos, políticos e humanitários de Jequié (Bahia) recebeu, em 2010, o Título de Cidadão Jequieense, conferido pela Câmara Municipal de Jequié (BA), e em 2012 uma medalha e o diploma da Ordem do Mérito Cultural Luís Cotrim, criada pela Academia de Letras de Jequié. Conheça, na entrevista abaixo, um pouco maus desse professor apaixonado pela Língua Portuguesa.

Litteris Editora: Fale um pouco sobre sua formação acadêmica e docente?

Prof. Álvaro Ricardo: Embora em casa houvesse muitos livros à disposição; no curso ginasial, que corresponde atualmente, da 6.ª à 9.ª série, só pensava nos folguedos de rapazinho: distrair, sim, e estudo só para passar o ano, eis o pão do dia a dia. Comecei a estudar mesmo, com seriedade, no segundo grau, e fiz com método, força e persistência. Até hoje, ajo assim na vida: quando desejo realizar algo, penso antes, porque, ao começar, não interrompo mais. Meu pai, além de ler muito, possuía em Jequié, estado da Bahia, cidade onde moro até hoje, duas livrarias. Isso facilitou muito a minha formação cultural. Fiz o curso de magistério primário, que correspondia ao segundo grau, entretanto não tinha recursos para frequentar uma Universidade na capital, o que não me impediu de continuar com a pretensão de aprender português. Observei ser possível sozinho, tendo como ponto alto a pesquisa, e foi a melhor coisa que fiz na vida. Criei meu próprio método; adoto-o até hoje na escola. Conheci através das respectivas obras, os maiores autores da nossa língua: Ernesto Carneiro Ribeiro, professor de Rui Barbosa; Eduardo Carlos Pereira, na época, com a revolucionária Gramática Expositiva, Curso Superior; Evanildo Bechara e seu professor Said Ali; Celso Pedro Luft, quando ainda era chamado de Irmão Arnulfo; Domingos Paschoal Cegalla; Rocha Lima; José de Sá Nunes; Celso Cunha; Silveira Bueno. Este último passou-me um bom conhecimento, além de português, através de obras inesquecíveis, de Califasia, Semântica, Filologia Portuguesa e Literatura Luso-Brasileira. Todos concorreram para minha formação cultural. Aí veio a vez de Napoleão Mendes de Almeida: um amigo com o qual mantinha discussões intermináveis sobre diversos assuntos vernáculos, presenteou-me com a Gramática Normativa da Língua Portuguesa. Avidamente passei a devorar-lhe as folhas. Através dela soube dos cursos de Português e Latim que o autor mantinha. Inscrevi-me e estudei no período de 1966 a 1970. Em 1993, após aposentar-me do Banco do Brasil S.A., por sugestão de um dos meus filhos, resolvi fazer o curso superior, licenciei-me em Letras, português e inglês, pela Universidade da Cidade de São Paulo.
Quanto ao magistério, comecei a ensinar muito cedo. Lembro-me de uma passagem interessante, ocorrida com o Dr. Santa Rosa, que foi Juiz de Direito desta Cidade e professor de português. Escreveu ele no quadro Nem tudo que reluz é ouro para a classe interpretar e fazer uma dissertação. Fiz-lhe ver que seria melhor ter escrito Nem tudo o que reluz é ouro. Pediu-me que fosse ao quadro e explicasse a razão. Após analisar a oração principal e a subordinada adjetiva, a função do o, pronome demonstrativo no sentido de aquilo, Nem tudo aquilo que reluz é ouro, longe de aborrecer-se, dirigiu-se a mim sarcasticamente:
– Filho dê a aula de português; eu precisava mesmo dar uma olhada no jornal!
A sala explodiu em risos. Eu fiquei ali parado.
– Vamos, filho, dê a sua aula – insistiu o professor. Tenho impressão de que algo lhe mordeu a língua.
– Estou esperando que o Senhor me dê o assunto, professor!
Encarando-me surpreso, falou: – Peça a seus colegas.
– Qual é o assunto que vocês querem – perguntei.  Silêncio total. Por incrível que pareça ninguém ofereceu nenhum tema de português. No fim ficou convencionado um estudo sobre crase.
Essa atitude me custou caro, porque não me deixou em paz: dei aula o ano inteiro, enquanto ele lia seu jornal tranquilamente. Ficamos amigos. Felizmente, no ano seguinte, era outro professor.
Concluí todo o curso com a nota máxima.
Em 1964, com 20 anos de idade, fundei o Curso de Português, Redação, Interpretação e Literatura Luso-Brasileira, que funciona até hoje. Cheguei a ensaiar alguns aulas de latim; mas ninguém demonstrou interesse.
Sempre morei em Jequié, onde fui professor de Português, História do Brasil, Educação Moral e Cívica do Instituto de Educação Régis Pacheco; Redação na Escola de Jornalismo Antônio Amaral; Português e Literatura no Centro Educacional Ministro Spinola. Também dei aulas de Direito Comercial e de Contabilidade em meu estabelecimento de ensino.

Litteris Editora: Como tem sido sua carreira como docente e como escritor ou como um docente que também é escritor?

Prof. Álvaro Ricardo: Como escritor, no décimo nono livro, muitos didáticos, há também romances, contos e poesias. Identifico-me muito com a arte. Quando não estou escrevendo, pinto, desenho, toco um instrumento. Acho que Deus me deu mais do que eu mereço. O ensino, entretanto, possui um lugar todo especial no meu ser, nada é mais gratificante do que plantar a semente da cultura. Emociono-me quando um avô que já foi meu aluno me traz o neto para matricular no curso de Português.

Litteris Editora: O Senhor tem vários livros na área de Língua Portuguesa. Quais os fatos que o levaram a publicá-los?

Prof. Álvaro Ricardo: Sou apaixonado pelo Idioma Nacional. Constitui ele objeto de estudo constante. Nos meus trabalhos procuro descomplicar o ensino vernáculo. Não vejo, por exemplo, vantagem alguma em misturar a gramática normativa com linguística, inserindo novos termos e explicações obtusas.

Litteris Editora: Fale um pouco sobre seus livros?

Prof. Álvaro Ricardo: Cada livro tem uma história. Nasce em determinado momento, cresce e se torna uma realidade; mas a intenção é uma só: – levar uma mensagem de algo em que acredito. Em 1996, juntamente com meu pai, lançamos Uma Estrela para o Céu, coletânea de poesias minhas e dele. Minha mãe é a estrela a que nos referimos, serviu de inspiração para vários versos. Em 2003, através dessa Editora, publicou-se Redação e Língua Portuguesa para o Sucesso no Vestibular; foi a primeira vez que usei a palavra sucesso em minhas obras. Teve boa preferência do público e foi cognominado pelos senhores de A Pérola da Língua Portuguesa. Em 2006, com a apresentação do livro por Napoleão Mendes de Almeida, veio a lume a obra Tesouro da Língua Portuguesa, que constituiu o alicerce para outros trabalhos do gênero, o fruto de uma vida de luta, sacrifício, sempre movido pelo desejo de concorrer para o enaltecimento do Idioma, tão vilipendiado nas últimas décadas numa prova de incivilidade e desamor. Quanto a Sucesso em Português e Redação e Sucesso em Interpretação de Textos, primam pelo estudo dos conceitos atuais na difícil arte de redigir e da compreensão textual. Mas vou parar aqui sob pena de tornar-me fastidioso.

Litteris Editora: E sobre o seu último livro, como ele se destaca dos demais?

Prof. Álvaro Ricardo: O livro Sucesso em Interpretação de Textos veio a preencher um espaço editorial no Brasil, onde são poucas as obras do gênero. Além de ser fundamentalmente didático, escrito numa linguagem facílima, apresenta  pontos inovadores, por exemplo, o desempenho do  gerúndio, particípio e infinitivo no texto, sem necessidade de levar o leitor a se perder no emaranhado das orações reduzidas. – Haja vista que uma oração formada por uma só palavra pode receber quatro classificações: subordinada substantiva objetiva direta, reduzida de infinitivo; ex.: Solicito mandarem. Há também um estudo interessante sobre as relações semânticas fraseológicas e oracionais, além da ampliação e restrição do pensamento sem precisar aprofundar-se nas orações adjetivas restritivas e explicativas.

Litteris Editora: O Senhor percebe algum encadeamento entre seus livros para o uso didático?

Prof. Álvaro Ricardo: A fragmentação do ensino brasileiro é impressionante. A gramática é ensinada fora na ordem para o aluno no final do curso, tentar, se conseguir, compreender o funcionamento da língua. Por exemplo, ensina-se que o pronome tal é objeto direto ou indireto, antes de explicar verbo quanto à predicação. A consequência está aí: a maior emissora televisual do País comete, frequentemente, erros idiomáticos com prejuízo para a Língua Portuguesa, considerando-se-lhe o grande índice de audiência. Veja-se, por exemplo: a) Não aprenderam ainda que a pronúncia correta para o particípio do verbo pegar é pêgo, e não pégo. b) Outro dia ouvi flu-í-do em vez de flui-do. c) É frequente falarem récorde por recórde. A pronúncia da primeira não é portuguesa, senão inglesa. d) A cidade de Recife passou a ser usada com artigo: Estou no Recife – Vim do Recife, em vez do correto: Estou em Recife – Vim de Recife.   Será que não sabem que "o Recife" é o bairro; e "Recife", a cidade? d) É irritante ouvir a previsão meteorológica: A faixa em amarelo... - A faixa em verde..., em lugar do correto: A faixa amarela... – A faixa verde... . Será que a jornalista, no seu dia a dia, fala: O vestido em amarelo é bonito – A roupa em verde chamou a atenção? Pelo menos o que ouvimos é O vestido amarelo é bonito – A roupa verde chamou a atenção. e) Hoje no noticiário surgiu previsão metorológica, quando o certo é previsão meteorológica. Vem do grego meteórologikós. e) O Governo não preveu... – No bom português se diz: O Governo não previu. O verbo prever é conjugado pelo verbo ver. Existe a forma verbal veu?! Será que eles dizem Ele veu a paisagem por Ele viu a paisagem? f) Ele proviu... – O correto agora é Ele proveu... O verbo prover, no pretérito se afasta da conjugação do verbo ver. g) Alguém fecha (é) a prova? O e tem som fechado nos verbos terminados em echar: Alguém fecha (ê) a prova é como deverá ser.
Mas... vamos parar por aqui, deixar espaço para outros assuntos. E note-se que nosso futuro é sombrio, e não poderia ser de outro modo num País em que milhares de alunos tiveram zero em redação nas últimas provas do ENEM. – Deus nos acuda!
– Quanto a meus livros poderão ser utilizados em qualquer curso pois primam pela clareza e pela inteireza do tema.

Litteris Editora: Como seus livros são usados na sala de aula?

Prof. Álvaro Ricardo: Os assuntos são explicados através do método indutivo (das partes para o todo, do particular para o geral), seguindo os elementos do raciocínio: fato (acontecimento) + juízo (análise) + inferência (conclusão). O aluno é interpelado durante toda a aula. Depois vêm os exercícios de fixação. Mais tarde, faz-se uma avaliação elaborada com todos os componentes da unidade. Com isso, obter-se-á alto índice de aprendizagem. Simples assim!

Litteris Editora: O Senhor tem planos para novos livros, até mesmo de escrever os não didáticos?

Prof. Álvaro Ricardo: Sim, atualmente estou preparando um dicionário de dificuldades da língua portuguesa e um romance de ficcionista. Tenho vontade também de escrever um livro de português com o título Sucesso em Língua Portuguesa, onde possa desenvolver a essência da língua, – somente o necessário para falar e escrever corretamente.

Litteris Editora: O que o motiva a continuar escrevendo na área de Língua Portuguesa?

Prof. Álvaro Ricardo: Zelar pelo Idioma Nacional. Dar a parcela de colaboração à cultura do nosso povo. Não deixar a "última flor do Lácio" morrer à míngua, absorvida pelo lodo da mediocridade.

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